segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Crise: Nós somos a crise!

dolar

Fico me perguntando até onde a mente humana pode ser tão meramente limitada. Somos criaturas per si imediatistas. Vejo o decorrer desta “crise mundial” como mais uma demonstração de nossa incapacidade de aprendermos com nossos erros.

Gostaria que daqui alguns anos eu releia este blog e ache graça do que escrevi. Mas duvido muito que isto aconteça.

Não precisaria ser um guru da economia ou vidente para imaginar que iremos pagar um alto preço pela mesquinharia, soberba e luxuria que pautamos nossas vidas. Desde que iniciou-se um processo de excelente crescimento econômico a nível mundial, pudemos observar que diversos governos pisaram fundo no acelerador e como um animal faminto debruçou-se cego para devorar os lucros exponenciais.

Surfar nesta mega onda de prosperidade foi o principal plano dos governos, inclusive o nosso, que a propósito, lucrou em muito associando a sua imagem no virtual “céu de brigadeiro”.

Onde eu quero chegar? Quero demonstrar que não temos liderança alguma, que não temos um líder capacitado de sensatez e perceber que um dia teríamos que frear essa locomotiva desgovernada!

Mas o que aconteceu com a economia? Íamos tão bem... Bom, inspirado no ex-candidato ao governo norte-americano MCain, terei o John – O Encanador, que no caso em minha história o chamarei de Paul - O Especulador:

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por U$ 300.000 financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer U$1,1 milhão. Aí, um banco perguntou pro Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como U$800.000, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os U$800.000.

Com os U$800.000 Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como U$400.000. A diferença, U$400.000 que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou 1 carro novo (alemão) pra ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou 2 TV’s de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas e o que sobrou jogou no bicho. Tudo financiado, tudo a crédito! A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito. Quanto amor!!!!

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez...

O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil...

Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre. Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Tinha casa pra vender como nunca.

Paul foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks,das tv’s de plasma, do vício no jogo do bicho e do cartão de crédito da amada esposa.

Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas, mas, ou não havia compradores ou os que haviam só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se danou! Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul. Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou!

Ele e sua família pararam de consumir... Milhões de Paul’s deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Paul’s em títulos negociáveis. (De onde arrumariam dinheiro pra emprestar para tantos caras bacanas feito o Paul??) Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Paul’s esses títulos começaram a valer pó. Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em U$500.000 e de repente passou a valer U$300.000 e mesmo pelos U$300.000 não havia compradores.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Paul’s atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.

Com a inadimplência dos milhões de Paul’s, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Paul’s pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir. O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimos interbancários.

O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo, porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na primeira semana de outubro o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, numa segunda feira, quebrado, insolvente.

No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares.

Durante a semana seguinte, dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez foi o Lehman Brothers, um bancão!

Vimos o inglês Gordon Brown, o francês Sarkozy, a Alemã Angela Merkel e o russo Dmitri Medvedev (este, fantoche do Putin) arrancarem os cabelos nas as primeiras semanas de outubro. Impressionante como ali nos salões ovais eles deram-se as mãos e diferenças foram deixadas de lado. E a cada injeção de ânimo que era inoculada no mercado (cada “ampola” custava em média uns 200 a 500 bilhões), este reagia com mais caras legais feito o Paul, só que no mercado de ações, especulando nos valores dos papéis das empresas.

Daí toda vez que o Bush vinha a público, o preço das ações despencavam... Daí toda vez que o FED liberava mais dinheiro pro mercado, o preço das ações subiam...

Vou fazer um slideshow para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas:

Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.

Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Acabar! Resolver! Extinguir!

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.

Com 120 bilhões o mundo certamente seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

Esta noite, o Citigroup anunciou que irá demitir 73 mil funcionários até janeiro de 2009, até outubro já foram demitidos 21 mil.

A classe media americana está pedindo falência, porque lá pessoa física pode abrir pedido de falência, e posterga a dívida em até 5 anos, mas precisa estar empregado. Cerca de 5 mil novos pedidos são registrados ao dia. Crescimento de 30% em outubro.

GM, Ford e Crysller, as maiores montadoras de automóveis dos EUA já anunciaram que precisam de socorro até o início de 2009, ou irão parar a produção. Nem precisa dizer o que acontecerá com milhares de funcionários...

O que começou com o Paul hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Minha Aventura Gastronômica:

Quando decidi fazer esta viagem confesso que pensei em distanciar-me o maximo possivel das cargas e sobrecargas recentes. Este ano eu assumi algumas responsabilidades que me fizeram pensar mais a frente, tornei-me um homem mais compromissado e menos rebelde. Desta forma, defini como "Um lampejo de minhas impulsividades reprimidas em 2008".

Certamente viajar para um determinado lugar disposto a registrar tudo aquilo que comí não é uma das iniciaivas mais recorrentes, ainda mais quando o destino chama-se Minas Gerais.

Conheci um lugar muito peculiar e absurdamente familiar. BH é uma cidade grande com todos os problemas que as metropoles enfrentam. Porém, ela torna-se peculiar pela simplicidade em que seus habitantes levam a vida. É algo como descompromissado, caipira, matuto.

A "viagem gastronômica" começou com o pior da aviação brasileira e provavelmente ela terminará da mesma forma. Se fosse apenas pelo que é servido durante a viagem eu diria que é muito ruim o serviço prestado pela Gol, mas somado ao ínfimo espaço entre as poltronas, o sorriso sem graça (forçado) e aquela maldita voz metálica das aeromoças (bonitas, apenas isso) eu declaro que é terrível e que precisamos fazer alguma coisa porque viajar de avião tornou-se viajar em um ônibus inter-estadual com asas. Detalhe sórdido: Muitos ônibus são bem melhores que os aviões da Gol.

Mas Abílio! você pagou barato, queria o que? Caviar? aeromoças semi-nuas sorrindo e oferecendo o número do telefone? leitos no lugar das poltronas?

Não! gostaria apenas de ser tratado como consumidor e não como carga!

É por pensar assim que empresas que se dizem oferecer produtos/serviços para nichos específicos da economia em detrimento da qualidade estão inundando o mercado, depois reclamam que não podem competir com as empresas dos gringos... Bom, economia é um outro tópico que me obrigo a relatar posteriormente. O assunto é comida e vou tentar me ater neste propósito.

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Ainda em Brasilia, por conta da escala, percebí que já estava em meio à novas perspectivas de sabor. Desculpem os demais defensores de culinárias regionalizadas, mas experimentei um magnifico e candango caldo de ervilha que aqui faço questão de registrar. Realmente haviam ervilhas (sim, naturais), de fundo um perfumado aroma de frango, combinado à uma generosa guarnição de torradas com alho. Foi um ótimo incentivo para a longa viagem.

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Belo Horizonte é realmente uma cidade singular. Primeiro que é uma cidade relativamente nova, mesmo assim, seu único aeroporto (Pampulha) recebe vôos apenas de pequeno porte e/ou taxi aéreo. Digamos que atende às regiões mais próximas, creio eu. Por conta disso nosso destino seria Confins, uma cidade próxima à Belo Horizonte.
Não achei ruim o fato da distância, e da capital de um dos maiores estados do Brasil não abrigar um bom aeroporto. (claro! estava de férias!) mas me parece prudente depois dos fatos recentes à aviação brasileira manter o aeroporto afastado de centros urbanos.
Apanhamos um ônibus em Confins e seguimos numa deliciosa viagem pelas serras em direção ao centro de BH.
A noite, decidimos "lanchar" pelas redondezas do bairro. Essa mania de Belenense em procurar um lanche de esquina pode ser bastante cômica em outras cidades... Encontramos o "Churrasco do Manoel". Nesta noite tive a certeza que não passaria um único dia sem comer torresmo.
De entrada, pão de alho com queijo... dá pra acreditar??? Maravilha!!!

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Eu já conhecia este prato, "mexidão", é bem tradicional. Em São Paulo o chamam de "virado" e é servido com tutú e fritas. Excelente com boa companhia e uma cervejinha beeeem gelada!

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A Gabi nos indicou um Filé recheado com queijo e presunto, coberto de queijo minas e fritas... no comments!!!

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Café da manhã com uma das melhores empadas de BH (Segundo a revista Veja BH), e claro, Coca-cola!!! (avacalhei geral)

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Fui até um supermercado, comprei goiabada e queijo. Pode parecer trivial, mas resolvi degustar uma das pequenas e maravilhosas coisas da vida. Sabor da infância! Fico imaginando que nesta correria que transformamos nossas vidas, que fazemos questão de lutar todos os dias, deixamos de lado alguns prazeres, o primeiro deles (em minha opnião) é saborear, e para saborear é necessário que se coma sem pressa. Rogo à todos que busquem qualidade em suas vidas, adicionem valor à elas, façam da batalha diária o prenúncio da recompensa em saborear o que as satisfazem, podemos buscar novos valores em pequenas atitudes. Faça o que lhe agrada! Somente!

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Fim de semana em Ouro Preto.
Quem ama história, como eu, saltaria os olhos diante de tanto resgate histórico. Vila Rica/Ouro Preto é um retorno às origens.
Antes mesmo de se chegar, somos presenteados com um belíssimo passeio pela serra, uma paisagem ímpar com graus de emoção nas curvas de alta velocidade.
Ruas de paralelepípedo, casas históricas preservadas, igrejas belissimas, pude ver de perto o trabalho de Aleijadinho... subi e desci as ladeiras da cidade tombada.

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Para o almoço, claro, procuramos uma cozinha mineira...

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A noite de sábado tava bem amena. Um friozinho gostoso espalhou-se pela cidade por causa de uma forte chuva. Solução: Caldo, pimenta e pinga! Ô trem bão sô!

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Domingo de feira em BH, genuinamente brasileira, ao estilo das demais capitais. Rua larga fechada e incontáveis barraquinhas vendendo coisas, artesanato, confecções e claro, comidaaaaaaaaa!!!
Um domingo um pouco diferente dos demais, era dia de clássico local Cruzeiro x Atlético MG, e de repente sentí-me em casa, num domingo na Praça da República em dia de Remo x Paysandu. Muita gente às compras nas barracas e a macharada tomando uma cervejinha e comendo o "Tropeirão".
O tropeirão consiste em: Uma marmita funda com uma porção exagerada de feijão tropeiro (estilo mineiro, com tudo mesmo), coberto de frango frito, macaxeira frita e torresmo! Daí amigo, é só curtir o bate-papo e o domingão ta garantido!

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Durante a semana, passei pesquisando lugares legais de ir. Aprendemos a ir ao centro e andamos bastante. Percebi que não se anda 50m sem uma ladeira acima ou abaixo. Em meio à fast-food e alimentos nada nutritivos, finalmente fomos até um restaurante autenticamente mineiro. Chama-se "Rancho Fundo", lugar bacana, bem grande, você se sente em um sítio rural mas está no meio da cidade. Bem arborizado e a temperatura diminui um pouco lá dentro. Tipicos fogões mineiros compõem um ambiente ecológico e um aroma de comida caseira maravilhoso! Resultado: Prazer em comer!!!

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Visitamos também um restaurante no Minas Tênis, que segundo nossos anfitriões possui a melhor feijoada de BH. Então: Que venha a feijoada, disso eu entendo!

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As noites regadas à Weiss Beer e hã... Torresmo!

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Após uma visita ao mercado central, almoçamos uma outra versão do "mexidão", desta vez em um restaurante tradicional. Delicia, nem precisa de fome...

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Não poderia voltar à Belém sem antes degustar um prato que ví no "Churrasco do Manoel", na primeira oportunidade não o pedí porque não tinha mais espaço no meu estomago, e creiam: ele é quase um buraco portátil. Mesmo assim, encarei em uma outra oportunidade. O prato é bem simples, chama-se Picanha à Mineira: Porção de picanha, Queijo Minas e ... Torresmo!!!
É na verdade um tira-gosto, mas de tão bem servido, pra mim foi uma refeição...

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Bem, como havia previsto, a aventura possivelmente terminaria com um lanche decadente servido pela Gol...

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Saúde à todos!!!

domingo, 23 de março de 2008

Prefácio

A primeira coisa que escrevi sobre mim foi sobre as três coisas que já sabia desde quando comecei entender o que era estar vivo neste canto do universo: seres inferiores se agrupam em famílias e seres superiores em colméias; a religião nunca seria o lado ativo se fizesse amor comigo; e que eu iria inevitavelmente ter que salvar o mundo um dia.

Mas esqueci de uma quarta realidade absoluta. Erro este que corrijo agora: Sempre soube também que nunca escolheria meus amigos por quantidade de posses ou de poder - nem tão pouco por puro prazer - mas pelo potencial humano e pelo olhar sincero de uma pessoa que não esteja querendo te vender nenhuma idéia ou utensílio doméstico.

E o Abílio não foge a esta regra. Não que ele não venha a se tornar o homem mais rico do mundo ou o presidente dos Estados Unidos – e até mesmo o rei da Inglaterra como assim iria preferir. Só depende de sua vontade.

Uma pessoa que compartilha comigo, entre outras coisas, a paixão por escrever - e sonhar com mundos mais desafiadores, daqueles que nos cobram o máximo de nossa (quase) ilimitada capacidade.

Porém como este préfácio estava reservado a mim, sabia que ele não escreveria uma palavra antes que eu estimulasse sua memória, sua criatividade... e um pouco do seu ego também!

Conheci o Abílio quando ele estava a um ano de sair do colégio para entrar na faculdade de Administração, numa escola que era na verdade uma academia de pessoas loucas e maravilhosas. Colecionamos um álbum de figurinhas únicas na história, as quais algumas vêm até hoje coladas em nós, formando aquela página dupla bem no centro do livro – é a tal da diretoria, que sai fazendo história por onde passa.

E como cada um tem sua história bem particular, este sujeito teve seu caráter e alicerces construídos com bases sólidas - como uma mãe que é de uma excelência cuja descrição tomaria pelo menos cinco páginas e por isso precisa ser resumida simplesmente como angelical; uma tragédia encarnada na perda de uma pessoa única na história de seu coração; a ausência afetiva de um pai, o que eu acredito deixou encubado em si a preparação para ser o melhor pai do mundo (quando chegar a hora); e por último, mas não menos importante, a presença de amizades verdadeiras e onipresentes.

Um homem de idéias e gostos refinados, que se renovam com o passar de cada ano, e que comigo compartilha muitos sonhos, como o de viver de cultura e conhecer todo esse planeta, para enfim descobrirmos porque nascemos justamente onde...

Se seus sonhos todos se tornarem realidade, então daqui a algum tempo ele estará morando na Inglaterra, tomando alguma bebida quente com David Gilmour e já terá feito de tudo um pouco.

Se ele gostar de você, vai te proteger e olhar por você para o resto da sua vida; mas se você o magoar sem razão – ou se apenas for portador de olhos falsos e impuros, ele vai te caçar e te destruir como um guerreiro nórdico sem medo de morrer, pois se for seu fim, irá não para o céu nem para o inferno, mas sim para Valhala reencontrar seus antepassados. Ou seja, ele ganha de qualquer jeito!

// Eduardo Alcântara